A Manipulação…

 

 

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 Manipular: v.t. 1.Dar forma a ou preparar com as mãos. 2.     (fig.) Manusear em vista dos próprios interesses ; forjar;  dominar. (…).

 Há tempos assistimos uma parte da mídia conjugar esse  verbo de maneira “exímia”. Parece que alguns setores têm se aprimorado a cada desgraça, a cada desastre que ocorre no país.

 Se não bastasse o sem número de informações e acusações vazias e irresponsáveis, há mentira.

Claro que existem os desinformados – paradoxo! – os que, como que por osmose, absorvem em poucos dias, senão em horas, o conhecimento técnico acerca de qualquer assunto, desde que seja o assunto da hora. Eles se tornam experts em reversores, caixas pretas, groovins.

As coletivas são inacreditáveis! Há um palco, onde se vê um show de egos, no qual eles disputam, com “meros” técnicos, o mmonopólio da verdade. Eles sabem a quem culpar, mesmo antes da investigação. O estranho é que qualquer pessoa que cursou pelo menos um semestre de qualquer universidade – e eles cursaram, graduaram-se, fizeram MBA’s no exterior! – sabe que a verdade é reconstituída, a posteriori. Quem se propõe, com IMPARCIALIDADE, a descobrir causas, deve investigar a partir de indícios. As provas e, consequentemente, os culpados vêm no fim (será que perderam essa aula?).

A televisão, essa tela azulada, é a lente pela qual a maioria do povo desse país vê o mundo. O que não dá no “plim-plim” não existe, e o que eles mostram torna-se verdade. Infelismente, no Brasil, a tiragem dos meios de comunicação impressos é inversamente proporcional à qualidade que eles apresentam. Quanto pior, melhor. Mas, num país de repleto analfabetos sociais, eles têm um poder imenso – e sabem disso – poder que corrompe o juramento que fizeram na faculdade, onde se comprometeram a informar com neutralidade e ética.

Eu não entendi ainda quando e onde isso começa a se perder, em que ponto um jovem idealista torna-se um burocrata da informação ou pior, um manipulador, que faz dos expectadores seus bonecos.

Depois de ter terminado esse post, sem conseguir ter escrito 1% do que gostaria, me rendi a um dos mais talentosos, éticos e responsáveis representantes dessa espécie, o Jornalista Mino Carta*, cujas idéias e pensamentos, não por acaso, me trazem a grata suspeita de que não estou de todo errada.

Disse o sensato Mino Carta algum tempo depois do acidente com o avião da TAM, em Congonhas: ” Um colunista da Folha de S.Paulo afirma na primeira página que o “nome certo” da tragédia de Congonhas “é crime”. E o criminoso? Obviamente, trata-se do governo do ex-metalúrgico alçado a uma função superior às suas forças. Creio que, antes de um julgamento final, seria oportuno apurar com precisão as causas do acidente, como de resto convém à prática do melhor jornalismo.” O Jornalista Mino não absolve o governo de antemão, tampouco o condena previamente.

* Mino Carta é dos mais importantes e influentes jornalistas no Brasil, estando ligado, de forma indissociável, à imprensa moderna do país, como atestam suas criações: a revista Quatro Rodas, o Jornal da Tarde, o falecido Jornal da República e as semanais Veja, IstoÉ e Carta Capital, a qual dirige atualmente junto com a Agência Carta Capital. Desde 1956, também constrói uma carreira como pintor, com exposições em Londres, Antuérpia, Milão e São Paulo.

Ps: trago agora uma do mundo jurídico. Uma “rusga” que ocorreu entre o Mino e o Diogo Mainardi (um cara que escreve na Veja – eu não Vejo). Resumindo, o Mino levou 35 mil do outro, por danos morais. Olha o que a juíza* disse:

O exercício da liberdade de pensamento e de opinião também exige o cumprimento do dever de veracidade, que não se confunde com a verdade real, mas pressupõe uma conduta diligente, considerando que a formação de juízo crítico dá-se sobre fatos da vida, existindo um conteúdo mínimo de significado que deve ser respeitado, como condição para a manifestação do pensamento de forma cuidadosa e respeitosa como os direitos alheios. A manifestação de pensamento e liberdade de expressão, no caso concreto, não conteve o mínimo de lastro em fatos da vida, pois o juízo crítico não observou os deveres de veracidade e pertinência, extrapolando a esfera do exercício do direito de forma lícita e alcançando a esfera da ilegalidade.”

*juíza Camila de Jesus Gonçalves Pacífico, da 1ª Vara Cível de Pinheiros, em São Paulo.

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~ por laurams em julho 21, 2007.

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