Nada mais puro…

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Eu ainda renovo minhas esperanças, e o faço sempre com crianças. Nós nascemos tão espertos, ligados, espontâneos, divertidos, contagiantes, alegres, misteriosos, intrigantes, etc. E dia após dia vamos nos despindo dessas qualidades e vestindo máscaras; de educação, polidez, sarcasmo, maldade, etc – não que elas não nos sejam úteis – mas não precisa exagearar né!

Então, eu e minha amiga Índia andávamos pelo brick da Redenção essa tarde e paramos na rua, em frente às barraquinhas de artesanato, onde sempre há um artista de rua fazendo algum show. Pra ser bem honesta eu nunca tenho muita paciência pra parar, ver o que é, etc. Mas nesse caso, em especial, achei muito interessante porque, de longe, se podia ver cones de trânsito voando no meio de um círculo grande de pessoas. Não sem um esparrinho, qualidade que me é peculiar, virei pra Índia e disse: – Guriaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa, olha lá os troços voando, vamo vê o que é!!

Aí, chegamos no bolor e tinha um tiozinho fazendo uma apresentação, claro que eu, azarada como sou (meu pai não gosta que eu diga palavras do roll das negativas, mas ele não vai ler isso, so…) cheguei no local, depois de esbarrar em muitos dos transeuntes, no momento em que o artista terminava a apresentação – isto é, não havia mais nenhuma possibilidade de malabarismos com cones – e pedia uma contribuição, de maneira adoravelmente persuasiva. Reproduzo a cena da melhor maneira que conseguir:

     -Agora, botem suas mãos direitas para cima, acenem para o céu e, lentamente, num movimento de vai-vem, baixem a mão direto ao bolso – dizia o artista. Ocorre que, nesse exato momento, surge do meio da multidão uma criaturinha tão decidida e firme que, à primeira vista, parecia uma anão – talvez pudesse fazer parte do espetáculo – e apontando e esticando a calça de abrigo vermelha, disse:

   – Ô tiooooooo, ô tioooo, olha aqui ohhhhhh, eu não tenho bolsoooo, não tenhooooo ohhh…

Todos olharam para a cena estupefatos, pois se tratava, não de um anão ou participe do show, mas de um lindo menino com cerca de três anos, que acompanhava concetrado a apresentação. De tão inusitada, cativante e bela a cena, por alguns instantes o artista e  multidão ficaram mudos, olhando para a criança, que se sentia um tanto excluída da participação, pois não tinha o tal do bolso na calça. Como poderia oferecer uma moedinha ao tio???

Resumo da história: o menino, de nome Tarcisio, colheu a primeira contribuição de sua mãe e, aos gritos de alegria, colocou no chapéu do artista. A multidão em volta não resistiu à doçura da criança, e as notas de dinheiro começaram a surgir nas mãos das pessoas, que entregavam ao menino para que depositasse no chapéu do artista.

No fim o homem disse: – Gente, essa foi a parte mais divertida do espetáculo, eu nunca mais vou ver tanto dinheiro na minha vida!

Foi incrível, até agora, quando lembro do menino eu ainda rio sozinha. Essa cena deixou meu dia muito mais algre….

Ps: como dá pra perceber, a foto do início do post eu tirei no momento em que o Tarcísio articulava sua reivindicação ao “tio”. Atenção à mão da criaturinha.

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~ por laurams em julho 30, 2007.

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