Vacinada contra a Globo

Irmã, eu também odeio perder textos, e esse, como eu tinha te dito, tinha ficado tãoo bom! Mas vamos lá, reescrever. Talvez não fique tão bom quanto a primeira versão, mas o tema é bem interessante.

Faz tempo que não assisto mais aos programas jornalísticos da TV aberta. Não que eu tenha sido relegada a um ostracismo informativo, ao contrário, hoje estou bem MELHOR informada. Minhas fontes de informação são, basicamente, a BBC Internacional e blogs como o do Mino, do PHA e do Azenha (repórter da Globo, que mostra no seu site aquilo que não pode mostrar na TV).

Pois é, hoje, numa das minhas incursões pelo You Tube, me deparei com uma pérola da programação televisiva da  rede Globo. Logo após o primeiro turno das eleições presidenciais de 2006, meu conterrâneo, Alexandre Garcia, comentava sobre a maturidade do povo brasileiro em levar as eleições para o segundo turno e enumerava as razões que explicavam, a seu ver, essa escolha do povo brasileiro.

A cúmplice, Ana Maria Braga, botava lenha na fogueira e influenciava seus telespectadores a “mudar todo o governo” no segundo turno. Parece mentira??? Assista:

Seguem minhas considerações acerca da “casual” convesa:

1. Ok, Alexandre, a educação é um tema que deve ser prioridade em qualquer governo de qualquer país que se preze, mas não pode, sob hipótese alguma, ser a única plataforma de campanha de um cidadão. O que ocorria há cerca de 7 anos, nesse país, é que tínhamos aproximadamente 18 milhões de miseráveis, que não tinham condições de fazer sequer três refeições ao dia. Pra conseguir ir pra escola a pessoa tem que estar bem nutrida. Mas essa não é uma preocupação da Ana Maria e do prezado jornalista, eles estão bem alimentados. Ana Maria, a despeito da sua vontade e dos interesses da grande mídia, o presidente não esteve envolvido em nenhuma CPI, foram pessoas do governo, investigadas, condenas e punidas. Em outros governos ocorreu a mesma coisa – inclusive no do seu prezado amigo FHC – mas e a punição?
Obs: se fosse pra apostar eu diria que o voto do Alexandre não fazia parte dos 2,5 milhões dados ao Cristovão Buarque, mencionados no video.

2. Vamos falar nas privatizações das estradas então. Foram ótimas, as estradas hoje são melhor sinalizadas, iluminadas, etc. Mas pra quem? Quem pode pagar pelos altos preços dos pedágios? Há muitas pessoas que deixam de circular nas estradas porque não têm condições de arcar com esse ônus. Não estaríamos, dessa forma, cerceando o direito dos cidadãos de ir e vir (garantido pela Constituição Federal)?

3. “Só o que é privatizado funciona nesse país??” Funciona pra quem, cara-pálida?? Vamos falar na telefonia? Sobre esse assunto conto uma histórinha que acorreu comigo justamente no período em que esse programa foi ao ar.                                                      Estava eu, no apartamento onde morava, num bairro do centro da capital, quando nossa linha telefônica foi cortada, devido a problemas na rede. Eu chamei a assistencia técnica, que veio solucionar o caso. Chegaram lá em casa dois técnicos de uma empresa terceirizada que presta serviço pro setor de telefonia. Um deles era um senhor já experiente, que havia ingressado no ramo antes mesmo de ser privatizado. Enquanto ele mexia nos cabos, eu – extremamente curiosa – ficava “dando fé” no serviço e conversando com ele. Numa certa altura do papo o seu “fulano” começou a me contar das maravilhas que a privatização tinha trazido para a empresa. Dizia ele:
-Olha moça, vê só, antes as linhas telefônicas eram caríssimas, agora qualquer um pode ter, e a abrangência do serviço é maior. Os celulares são uma verdadeira revolução.
– Ah, pois é – murmurava eu, esperando que ele terminasse de arrolar as  maravilhas trazidas pelas privatizações. Minutos depois ele terminou e eu perguntei:
– Vem cá, me diz uma coisa só, vocês atendem da com a mesma qualidade os consumidores que moram na Restinga, na Lomba do Pinheiro (periferias) ou em cidades pequenas do interior? – com um sorriso amarelo no canto dos lábios ele me disse:
– Não moça, aí não né! A empresa quer instalar os serviços onde tem mais demanda, mais dinheiro. Os últimos a serem atendidos são as periferias e a zona rural. E não adianta reclamar. Até assim, se dá algum problema nesses lugares a chefia diz que não precisa ter pressa para fazer o atendimento.
– Porque eles não pagam, ou atrasam muito? – perguntei.
– Não é nem por isso, a Sra sabe que pobre sempre paga primeiro. É porque não dá muito lucro e o investimento é alto. Não vale a pena pra empresa. E agora tem essa história de roubo de fios de cobre, aí já viu né. Tem lugares que não colocamos mais linhas.
É óbvio que eu já sabia dessa resposta, mas percebi que a medida que o cidadão ia me contando tudo aquilo, ia percebendo o quão errada era a situação.
Eu me lembro que antes da privatização as linhas eram caras e as contas de telefone muito mais baratas que hoje. Lembro também que o telefone era instalado com base numa lista de espera ùnica, não de acordo com a possibilidade de lucro. Há setores que a iniciativa privada pode explorar, mas as telecomunicações fazem parte do setor estratégico da país. Não há como voltar atrás, mas essas empresas deveriam ser melhor reguladas para que esses desmandos não ocorressem. Respondendo a pergunta do caro Alexandre (“Só o que é privatizado funciona nesse país??”). Não Alexandre, vide a Petrobrás, conhece?

4. “Vamos (nós os letrados) dar um voto de confiança ao eleitorado?” – Meu Deus, de onde eles tiram essa gente??? – (pior que esse aí eu sei muito bem de onde saiu!). Tentaram um último golpe, o “dossiê”, cujas denúncias nunca alcançaram o presidente – e podem ter certeza de que se o ex-metalúrgico estivesse envolvido já tinha tomado um “passa fora”. Aí então, houve a conscientização do povo – iletrado – que reelegeu o presidente. Ora, ora, que ousadia para um Silva saído de Pernambuco, num  pau-de-arara, ser reeleito!

5. Sobre a Vale do Rio Doce eu tenho até nojo de falar – e merece um post excluvido. O FHC “deu” a empresa para o capital estrangeiro e agora ela é, realmente, uma das mais lucrativas do mundo. Quando entregamos nosso tesouro, havíamos explorado apenas 5% do seu potencial. Os outros 95% já perdemos.

O final da história todos sabemos. O presidente foi reeleito com mais de 60% dos votos válidos, a despeito dos interesses de grupos elitistas e da imprensa farisaica (adoro esse vocábulo!). O povo impôs sua vontade da forma mais democrática possível e a mídia continua com planos de derrubar o nordestino audacioso. Eles têm se esmerado em fracassar no seu intento.

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~ por laurams em agosto 24, 2007.

2 Respostas to “Vacinada contra a Globo”

  1. Goria, como eles são cretinos! Isso é um abuso à inteligência do povo, que é muito mais esperto do que eles pensam.
    Ainda bem que existe a internet, eu descobri a um tempo que a maior parte da vida inteligente do jornalismo está online.

  2. nao sou petista,
    nao sou governista,
    mas uma coisa é certa o PSDB ( mario pedagio covas,,, Fernando vende-se o brasil henrique, josé abiloiado serra etc etc )
    é um cancer para o pais

    DEUS NOS LIVRE DISTO.

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