AI diz que mulheres são as maiores vítimas do tráfico no Brasil

Tim Cahill, pesquisador da Anistia Internacional, constatou, em recente relatório, que as mulheres das comunidades pobres do Brasil são as maiores vítimas do tráfico de drogas.

O meu post na, Blogagem Coletiva do Dia Internacional da Mulher, tinha abordado justamente esse assunto, e fico muito contente que uma instituição admirável como a AI tenha se debruçado sobre esse tema.

O relatório, em linhas gerais, afirma que as muheres, geralmente chefes de família, são obrigadas a barganhar serviços básicos com o crime organizado, porque o Estado não está presente nas comunidades. Além disso, são usadas como moeda de  troca por traficantes ou como “mulas” , levando a droga de um lugar para o outro. O Estado, quando chega na favela, o faz através de uma polícia truculenta que discrimina, intimida e humilha as mulheres – que geralmente querem proteger seus familiares. As revistas são feitas por agente masculinos, que abusam e se aproveitam de mulheres, adolescentes e crianças.

Muitos dos agressões sofridas pelas mulheres nas comunidades são resultado da atitude – a meu ver – inerentemente feminina de querer proteger, socorrer, defender… as pessoas de quem gostam. A mulher, geralmente, compra a briga e toma as dores de filhos e parceiros.

O relatório aponta, ainda, que o número de mulheres que ingressam no sistema prisional vem crescendo assustadoramente. E no cenário macabro das prisões basileiras, as mulheres continuam sofrendo abusos físicos, psíquicos, sexuais….

Há algum tempo, quando eu cursava a faculdade de ADM de Sistemas e Serviços de Saúde, tive a oportunidade de ler uma pesquisa realizada no morro da Mangueira, no RJ, que apontava a grande incidência de problemas cardíacos nas mulheres daquela comunidade. Isso não é suspresa quando se percebe o cotidiano de stress no qual elas estão inseridas, a margem dos serviços de saúde básicos, e a milhas de algum acompanhamento psicológico.

Nas palavras do pesquisador Cahill:

“Os direitos dessas mulheres são violados pelo Estado de três maneiras: este apóia práticas policiais que conduzem a execuções extrajudiciais; perpetua um sistema que torna o acesso à justiça extremamente difícil, senão impossível; e as condena à miséria”.

Se, por um lado, fico muito preocupada com a situação das mulheres nas comunidades pobres no Brasil, por outro, me alegra o fato de que essa preocupação seja compartilhada com a AI.

Todos sabem que há soluções para os problemas sociais no Brasil – e no mundo – mas é preciso abrir mão de algum privilégios e divir o bolo. E isso ainda vai acontecer*.

*Palavras de uma otimista.

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~ por laurams em abril 17, 2008.

2 Respostas to “AI diz que mulheres são as maiores vítimas do tráfico no Brasil”

  1. Parabéns!!!

  2. EU GOSTARIA DE SABER MAIS SOBRE MULHERES MULAS OU MOEDA DE TROCA,E SE TEM ALGUM RELATO DE MENINAS MENORES ENVOLVIDAS E OQUE EU POSSO FAZER CASO SAIBA DE ALGUM CASO. OBRIGADA SEM MAIS.

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