Por que Laura?

Mais um pouquinho de literatura…..e mais um pouquinho de Laura.

“o nome de Laura equivale a Aurora, Louro, Laurea, ou bem num artifício que já havia agradado a Arnaud Daniel, um nome oculto em Aura. O soneto “L’aure che ‘l verde lauro e l’aureo crine” é uma complacência fónica com o nome da sua “dona”, e um outro soneto, “L’aurea mia sacra al mio stanco riposo” joga conjuntamente com o sentido próprio de aura e com o do nome amado.

O encontro de Petrarca com Laura na Igreja de Santa Clara é datado de 6 de Abril de 1327, ano em que alguns críticos fazem nascer o humanismo. Exactamente 21 anos depois, no mesmo dia, morria a musa, dando origem à segunda parte da obra do autor, intitulada “In morte de madonna Laura” pelo seu biógrafo Vellutello. É este quem fixa o texto poético de Petrarca e o associa a um percurso amoroso à revelia da ordem estabelecida pelo poeta toscano. A lenda é imposta à obra, e Laura torna-se uma entidade de “carne e osso”

três facetas da figura de Laura, a primeira, a “material”, que corresponderá à amada de Anfriso, na sua fase primitiva, funcionando como “dona” poética mais do pastor que do narrador, e relacionável com o primeiro estádio do caminho para o desengano: Vénus/Primavera; a segunda, a Laura imperial, ainda relacionada com Anfriso, mas metáfora de um anseio de carácter político: é Diana/Astreia; a terceira, já  de carácter sagrado e/ou filosófico seja qual for a perspectiva adoptada (católica ou gnóstica) sempre cristianizada em que Laura se torna hipóstase do conhecimento: a divina Sofia ou a Ideia neo-platónica. Aqui ainda com uma dupla hipótese decorrente da divisão entre “l’aura gentil” e “l’aura popularis” de Petrarca, sob a figura de Ennoia, ou sob a figura da Pistis Sofia do Valentinianismo.”

Soneto

            Longe de Laura inveja a região que a possui
 

Nem ave em ninho ou fera em selva obscura
Houve triste como eu no apartamento
Desde que se afastara o encantamento
Do sol que o meu olhar sempre procura.
 
Tenho o pranto por única ventura,
É dor o riso e absinto o mantimento,
E eu vejo turvo o claro firmamento,
E o leito é campo de batalha dura.
 
O sono é na verdade qual se diz
Irmão da morte e o peito nosso priva
Deste doce pensar que sempre o aviva.
 
Só no mundo felice e almo país
Verdes ribas e flórido recanto,
Vós possuís o bem que eu choro tanto.

                                                                                    Petrarca
                                                                  (Tradução de Almansur Haddad)

 

fonte: http://www.fcsh.unl.pt/docentes/hbarbas/tagarro/L-4000PoesiaHist.htm

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~ por laurams em maio 19, 2008.

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