Por que Laura?

•maio 19, 2008 • Deixe um comentário

Mais um pouquinho de literatura…..e mais um pouquinho de Laura.

“o nome de Laura equivale a Aurora, Louro, Laurea, ou bem num artifício que já havia agradado a Arnaud Daniel, um nome oculto em Aura. O soneto “L’aure che ‘l verde lauro e l’aureo crine” é uma complacência fónica com o nome da sua “dona”, e um outro soneto, “L’aurea mia sacra al mio stanco riposo” joga conjuntamente com o sentido próprio de aura e com o do nome amado.

O encontro de Petrarca com Laura na Igreja de Santa Clara é datado de 6 de Abril de 1327, ano em que alguns críticos fazem nascer o humanismo. Exactamente 21 anos depois, no mesmo dia, morria a musa, dando origem à segunda parte da obra do autor, intitulada “In morte de madonna Laura” pelo seu biógrafo Vellutello. É este quem fixa o texto poético de Petrarca e o associa a um percurso amoroso à revelia da ordem estabelecida pelo poeta toscano. A lenda é imposta à obra, e Laura torna-se uma entidade de “carne e osso”

três facetas da figura de Laura, a primeira, a “material”, que corresponderá à amada de Anfriso, na sua fase primitiva, funcionando como “dona” poética mais do pastor que do narrador, e relacionável com o primeiro estádio do caminho para o desengano: Vénus/Primavera; a segunda, a Laura imperial, ainda relacionada com Anfriso, mas metáfora de um anseio de carácter político: é Diana/Astreia; a terceira, já  de carácter sagrado e/ou filosófico seja qual for a perspectiva adoptada (católica ou gnóstica) sempre cristianizada em que Laura se torna hipóstase do conhecimento: a divina Sofia ou a Ideia neo-platónica. Aqui ainda com uma dupla hipótese decorrente da divisão entre “l’aura gentil” e “l’aura popularis” de Petrarca, sob a figura de Ennoia, ou sob a figura da Pistis Sofia do Valentinianismo.”

Soneto

            Longe de Laura inveja a região que a possui
 

Nem ave em ninho ou fera em selva obscura
Houve triste como eu no apartamento
Desde que se afastara o encantamento
Do sol que o meu olhar sempre procura.
 
Tenho o pranto por única ventura,
É dor o riso e absinto o mantimento,
E eu vejo turvo o claro firmamento,
E o leito é campo de batalha dura.
 
O sono é na verdade qual se diz
Irmão da morte e o peito nosso priva
Deste doce pensar que sempre o aviva.
 
Só no mundo felice e almo país
Verdes ribas e flórido recanto,
Vós possuís o bem que eu choro tanto.

                                                                                    Petrarca
                                                                  (Tradução de Almansur Haddad)

 

fonte: http://www.fcsh.unl.pt/docentes/hbarbas/tagarro/L-4000PoesiaHist.htm

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A vida íntima de Laura

•maio 18, 2008 • 6 Comentários

 

Tem uma categoria no meu blog que se chama “a vida intima de Laura”, isso porque quando eu era bem pequena, tinha uns 7 anos, ganhei um livrinho da madrinha da minha irmã, a “dinda Valquíria”. O livro se chamava “a vida íntima de Laura”, esse livro é da Clarisse Lispector, e é claro que do alto dos meus 7 anos de vida eu ainda não sabia quem era aquela senhora.

O livro conta a vida de uma criatura chamada Laura –  por isso acredito que as “Laurinhas” devem ganhar mto esse livro. Ocorre que a Laura em questão é uma galinha, e eu sempre tive – e ainda tenho – MEDO de galinhas. Hoje em dia eu sei que isso é um tipo de fobia, naquele tempo era horror mesmo!!! Nós tinhamos galinhas e garnizés em casa, e eu nem chegava perto, se vinha um daqueles bolos de pena com bico pro meu lado eu saia correndo como quem corre de uma alma penada. Quando eu queria comer melancia, em Rondinha, era um martírio, pq eu adoro melancia, mas, ao que parece as galinhas também, e elas ficavam em roda da mesa esperando cair uma semente, e eu entrava em pânico. Teve uma vez também, que o cachorro da vizinha entrou no pátio da minha casa e massacrou um galo que tinha lá, o pobre do galo não morreu, mas ficou com o pescoço em carne viva, olhar pra ele era a visão do inferno. No fim ele teve que ser sacrificado, devia estar sofrendo muito, coitado.

Voltando ao livro, quando olhei pra capa e vi que deram o meu nome pra uma galinha, aquilo já me causou aversão, mas o pior estava por vir, no interior do livro. Lá pela terceira página eu dou de “olhos” com essa frase:

“Outra verdade: Laura é bastante burra. Tem gente que acha ela burríssima, mas isto também é exagero: quem conhece bem Laura é que sabe que Laura tem seus pensamentozinhos e sentimentozinhos. Não muitos, mas que tem, tem Só porque sabe que não é completamente burra ela fica toda prosa e boba. Ela pensa que pensa. Mas em geral não pensa coisíssima alguma.”

Todo o mundo sabe como são as crianaças, não sabem???

Naquele momento eu fiquei muito decepcionada, além de ser uma galinha eu era a galinha mais burra do mundo!!!

Eu não terminei de ler o livro, larguei pra sempre – o sempre de uma criança – e dei pra alguém – que não se chamava LAURA, é claro.

Hoje, ainda tenho horror de galinhas, se elas chegam perto de mim não posso mais sair correndo – acho que essa era uma prerrogativa da Laurinha criança – mas eu vou me afastanto bem discretamente, torcendo pra galinha não cismar comigo.

Sobre o livro, tenho uma opinião bem diferente da que eu tinha, acho uma obra prima para crianças, nem poderia ser diferente, porque os pequenos foram honrados com um livro da Clarice Lispector, que não subestima a inteligência de ninguém, muito menos a deles.

Reli o livro e percebi que tem trechos muito instrutivos – para crianças que não tenham horror à galinhas – do contrário prefiram presentear com os livrinhos da Lya Luft, que tb são bons.

Aqui vão algumas partes do livro:

“A verdade é que Laura tem o pescoço mais feio que já vi no mundo. Mas você não se importa, não é? Porque o que vale mesmo é ser bonito por dentro. Você tem beleza por dentro? Aposto como tem.”

“Laura vive apressadinha. Por que tanta pressa, oh Laura? Pois ela não tem nada o que fazer. Esta pressa é uma das bobagens de Laura.”

“É assim vida íntima quer dizer que a gente não deve contar a todos o que se passa na casa da gente. São coisas que não se dizem a qualquer pessoa.”

“Vai sempre existir uma galinha como Laura e sempre vai haver uma criança como você. Não é ótimo? Assim a gente nunca se sente só.”

“Foi assim que Laura se viu entre galinhas desconhecidas e sem Luís. Depois tudo foi melhorando porque ela começou a arranjar amigas entre as galinhas e botou grande quantidade de ovos.”  

“Eu queria tanto que Laura soubesse falar. Ela ia dizer tanta burrice engraçada que só vendo.”

“Mas não é fácil explicar o gosto que se tem na boca. Por exemplo: experimente
explicar o gosto do chocolate. Viu como é difícil? É gosto de chocolate mesmo.”

“Só uma galinha é diferente delas: uma carijó toda de enfeites preto e branco. Mas elas não desprezam a carijó por ser de outra raça. Elas até parecem saber que para  Deus não existem essas bobagens de raça melhor ou pior.”

“— Ah, cacarejou Laura, os humanos são muito complicados por dentro. Eles até se sentem obrigados a mentir, imagine só.”

“Que bom ser protegida por um habitante de Júpiter, pensou Laura e começou a dormir de novo

 

 

 

 

“Não há diálogo com o pescoço na forca!”

•maio 8, 2008 • Deixe um comentário

Nunca escrevi sobre ela nesse espaço, não por falta de admiração (que só faz aumentar) mas porque ela é uma mulher extremamente discreta, discrição essa, diretamente proporcional à competência.

Estou falando da ministrada Casa Civil, Dilma Rousseff. Dilma formou-se em economia na UFRGS, fez mestrado e doutorado em Teoria Econômica na Unicamp. Ocupou a secretaria de Minas e Energia nos governos Collares e Olívio Dutra, em 2002 foi nomeada para o Ministério de Minas e Energia do governo Lula, de onde, em 2005, se transferiu para a Casa Civil, quando o Ministro José Dirceu deixou o cargo.

Muito antes disso, nos idos da ditadura militar, época em que a população colocava a coragem e as opiniões sob os colchões, Dilma pegou em armas e lutou pela redemocratização do país, ficou presa durante três anos, sofrendo todo o tipo de tortura, prática usual naqueles tempos.

Dilma levou choques, foi para o pau-de-arara, foi queimada, etc, mas NUNCA entregou seus companheiros de guerrilha. Ela mentiu para os torturadores, mesmo sofrendo os mais atrozes suplícios. Por isso, foi chamada, pelos promotores militares, de “Joana D’arc da guerrilha”.

A Ministra, hoje, compareceu a uma sessão da Comissão de Infra-Estrutura do Senado, para responder a questões relativas ao PAC, mas como se previa a oposição massacrou Dilma com perguntas sobre o “dossiê” com gastos do ex-presidente FHC (“O Farol”). O senador José Agripino Maia (DEM-RN), numa atitude deplorável, questionou se a ministra também iria mentir na comissão como fez aos torturadores na época da ditadura. Nesse momento ela se sobressaiu, porque é em momentos de pura ignorância que as grandes personalidades, serenamente, esmagam os menores.

Nas palavras da Ministra, os fatos:

“Eu fui barbaramente torturada, senador. Qualquer pessoa que ousar falar a verdade para os torturadores, entrega os seus iguais. Eu me orgulho muito de ter mentido na tortura, senador”

“não há possibilidade de diálogo” quando se tem pela frente o “pau de arara, o choque elétrico e a morte”.

“O regime que permite que eu fale com os senhores não tem a menor similaridade [com a ditadura]. Nós estamos em igualdade de condições humanas, materiais. Não estamos no diálogo entre o pescoço e a forca, senador. Por isso acredito e respeito esse momento. Isso é algo que é o resgate desse processo que ocorreu no Brasil”.

Eles queriam massacrar Dilma e foram esmagados pela serenidade da Ministra. Ademais, quando perguntada sobre o que interessava, o PAC, ela demonstrou conhecimento e uma competência ímpares acerca dos problemas do país. Dilma tem, na ponta da língua, as necessidades e problemas estruturais de cada região do Brasil,  ela é tranqüila, preparada, articulada, educada. No que concerne à competência e transparência, a inquirida da comissão foi e é infinitamente superior a qualquer um dos senadores. Isso foi reconhecido pelo senador Suplicy, que ressaltou que não há um senador que conheça melhor que Dilma, a realidade brasileira.

Acho que acompanho a política desde os 7 anos, quando meus primos, minha irmã e eu ganhamos de presente da minha tia uma urna com cédulas de votação, feitas em mimiógrafo. Lembro bem que os candidatos contantes na nossa “cédula” eram os principais candidatos a presidente em 1989. Pois bem, desde aquela época, nenhum político conseguiu me causar a admiração, a confiança e respeito que a Dilma.

Era previsto que a oposição tentaria – e tentará – manchar a reputação da Ministra, mas além de tudo, ela é muito mais esperta do que aquela dúzia de urubus, que se preocupam em manter seus privilégios e não sabem a diferença de uma reunião num sistema democrático e de uma sessão de tortura.

Agripino Maia: A senhora mentiu na ditadura, mentirá aqui?

Ministra Dilma Rousseff:

Qualquer comparação entre a ditadura militar e a democracia brasileira, só pode partir de quem não dá valor à democracia brasileira.

Eu tinha 19 anos, fiquei três anos na cadeia e fui barbaramente torturada, senador. E qualquer pessoa que ousar dizer a verdade para os seus interrogadores, compromete a vida dos seus iguais e entrega pessoas para serem mortas. Eu me orgulho muito de ter mentido senador, porque mentir na tortura não é fácil. Agora, na democracia se fala a verdade, diante da tortura, quem tem coragem, dignidade, fala mentira. E isso (aplausos) e isso, senador, faz parte e integra a minha biografia, que eu tenho imenso orgulho, e eu não estou falando de heróis. Feliz do povo que não tem heróis desse tipo, senador, porque agüentar a tortura é algo dificílimo, porque todos nós somos muito frágeis, todos nós. Nós somos humanos, temos dor, e a sedução, a tentação de falar o que ocorreu e dizer a verdade é muito grande senador, a dor é insuportável, o senhor não imagina quanto é insuportável. Então, eu me orgulho de ter mentido, eu me orgulho imensamente de ter mentido, porque eu salvei companheiros, da mesma tortura e da morte. Não tenho nenhum compromisso com a ditadura em termos de dizer a verdade. Eu estava num campo e eles estavam noutro e o que estava em questão era a minha vida e a de meus companheiros. E esse país, que transitou por tudo isso que transitou, que construiu a democracia, que permite que hoje eu esteja aqui, que permite que eu fale com os senhores, não tem a menor similaridade, esse diálogo aqui é o diálogo democrático. A oposição pode me fazer perguntas, eu vou poder responder, nós estamos em igualdade de condições humanas, materiais. Nós não estamos num diálogo entre o meu pescoço e a forca, senador. Eu estou aqui num diálogo democrático, civilizado, e por isso eu acredito e respeito esse momento. Por isso, todas a vezes…eu já vim aqui nessa comissão antes. Então, eu começo a minha fala dizendo isso, porque isso é o resgate desse processo que ocorreu no Brasil. Vou repetir mais uma vez: Não há espaço para a verdade, e é isso que mata na ditadura. O que mata na ditadura é que não há espaço para a verdade porque não há espaço para a vida, senador. Porque algumas verdades, até as mais banais, podem conduzir a morte. É só errarem a mão no seu interrogatório. E eu acredito, senador, que nós estávamos em momentos diversos da nossa vida em 70. Eu asseguro pro senhor, eu tinha entre 19 e 21 anos e, de fato, eu combati a ditadura militar, e disso eu tenho imenso orgulho.

 

Dia do Trabalho!

•maio 1, 2008 • 4 Comentários
 

Hoje,  dia 1º de maio, nessa nanocoletiva, da Paôla, da Lys e minha, gostaria de dar um pouco de atenção a pessoas que estão trabalhando, MAS QUE NÃO DEVERIAM ESTAR. Pessoas exploradas, pelo simples fato de exercerem um trabalho. Pessoas que sofrem com abrigações muito maiores do que podem e devem cumprir. Fruto da ganância de “empregadores” que muitas vezes são os próprios pais. E, em última análise, resultado de uma sociedade que fecha as janelas dos carros para os explorados que vedem doces nos sinais, e, ao mesmo tempo, para a dura realidade de que eles não deveriam estar ali.

Todo o trabalho infantil que não está abrangido pela lei do trabalho do aprendiz, é, além de trabalho infantil, trabalho escravo. Quem emprega crianças, normalmente o faz para trabalhos que exigem uma compleição física e uma responsabilidade muito maiores do que aquelas que elas podem arcar.

É chocante perceber que o sistema não poupa nem crianças. É triste perceber que um país como o Brasil ainda não implantou uma campanha de controle de natalidade séria, e que continuamos tendo filhos sem pensarmos em sua educação, saúde, lazer, etc.

O Brasil, dentro do ordenamento jurídico que disciplina as relações de trabalho, admite que nenhuma criança menor de 14 anos possa ser contratada. Dos 14 aos 18 anos o empregado é regido pela Lei do Aprendiz, que leva em consideração questões relativas à situação comum desses empregados, como o estudo e capacidade física, por exemplo.

Menores de 14 anos – à exceção artistas – não podem ser contratados, ou explorados. Mas, apesar de o desrespeito dessa norma configurar um crime, todos sabemos que não é observada, quer seja por empregadores, e pior, por pais.

O Brasil, ainda, é signatário de acordos e convenções internacionais que dizem respeito à ampliação dos direitos e garantias fundamentais. Nesse contexto, somos ordenados por dispositivos internacionais que beneficiam o trabalhador. As Convenções 138 e 182 da Oranização Internacional do Trabalho são exemplos de textos legais que disciplinam o trabalho infantil. Quer seja para adequá-lo à idade do jovem empregado, quer seja para abominar qualquer trabalho que não respeite a idade mínina estabelecida na legislação de cada pais. Além disso, o artigo 1º da Conveção 138, ordena que o Estado-membro “comprometa-se a seguir uma política nacional que assegure a efetiva abolição do trabalho infantil e eleve, progressivamente, a idade mínima de admissão a emprego ou trabalho a um nível adequadeo ao pleno desenvolvimento físico e mental do jovem.”

Ocorre que o trabalho infantl, nos países subdesenvolvidos, é fruto de uma realidade de miséria da população e as crianças tem papel importante na complementação da renda familiar. Em função disso a Convenção 182 estabeleceu “as piores formas de trabalho infantil”, na intenção de, ao menos, dirimir os maus-tratos que as crianças sofrem no trabalho.

Art. 3º da Convenção 182:

“Para efeitos da presente Convenção, a expressão “as piores formas de trabalho infantil” abrange:
a) todas as formas de escravidão ou práticas análogas à escravidão, tais como a venda e tráfico de crianças, a servidão por dívidas e a condição de servo, e o trabalho forçado ou obrigatório, inclusive o recrutamento forçado ou obrigatório de crianças para serem utilizadas em conflitos armados;
b) a utilização, o recrutamento ou a oferta de crianças para a prostuição, a produção de pornografia ou atuações pornagráficas;
c) a utilização, recrutamento ou a oferta de crianças para a realização para a realização de atividades ilícitas, em particular a produção e o tráfico de entorpencentes, tais com definidos nos tratados internacionais pertinentes; e,
d) o trabalho que, por sua natureza ou pelas condições em que é realizado, é suscetível de prejudicar a saúde, a segurança ou a moral das crianças.” 

Quando clamamos que a revolução do pais se dá através da educação, devemos pensar em uma maneira de proporcionar uma oportunidade para que nossas crianças vão à escola bem alimentadas, descansadas e livres de qualquer preocupação que diga respeito ao “mundo dos adultos”.

TRABALHO INFANTIL É TRABALHO ESCRAVO E ILEGAL, DENUNCIE:

Conselho Tutelar
Procure o endereço do Conselho Tutelar do seu munícipio no Sistema de Informação para a Infância e Adolescência (Sipia), do Ministério da Justiça.
Faça sua consulta em http://www.mj.gov.br/sipia/frmMapeamentoConsulta.aspx
A busca deve ser feita por UF, Munícipio, Tipo: Conselho Tutelar.

Delegacia Regional do Trabalho
Entre em contato com a Delegacia do Trabalho da sua região.
As seguintes DRTs oferecem o serviço “Denúncias On-line”: AL, AM, AP, ES, GO, MA, MG, MS, MT, PR, RJ, RN, RO, RS, SC.

Secretaria de Assistência Social
Procure a Secretaria de Assistência ou Desenvolvimento Social no seu município, pela qual pode ter acesso à comissão local do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti) e à coordenação do Peti.

Ministério Público do Trabalho
Faça sua denúncia on-line: http://www.mpt.gov.br/denuncie.html
Ou acesse www.mpt.gov.br/trab_inf

Lista das Procuradorias Regionais do Trabalho: http://www.mpt.gov.br/institucional/prts/index.html

OUTROS LINKS IMPORTANTES
Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil
Fóruns Estaduais de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil
Organização Internacional do Trabalho

Coletiva pela erradicação do trabalho escravo!

•abril 21, 2008 • 1 Comentário

 

Dia 1º de maio escreveremos sobre o trabalho escravo e sua erradicação. Quem propôs o tema foi a Paôla, e eu acho que é um dos mais importantes atualmente. Mesmo que não vejamos de perto essa realidade, ela está presente em todos os estados da federação. É impossivel que continuemos aceitando tacitamente essa prática hedionda.

6 (das) coisas que eu amo!

•abril 20, 2008 • 3 Comentários

A Lys – do Universo Desconexo – pediu que eu escrevesse sobre 6 coisas que amo. Claro que existem muito mais que 6, mas resolvi escrever sobre coisinhas bem simples, que me deixam muito feliz.

E, como não amar coisas que nos deixam felizes???

1. Conversar – eu adoro falar, e escutar as pessoas falando, principalmente quando não conheço a pessoa. Aí eu pergunto “de um tudo” sobre a vida dela, o q ela faz e deixa de fazer. Adoro conversar com as pessoas na rua, no super, na feira, na farmácia, etc… Gosto muito de ficar horas conversando com meus amigos e tb com o meu pai. O que me deixa muito feliz tb é falar com crianças. É a maior diversão.

2. Aprender – quando eu acho alguma coisa que eu goste de ler, aprender, etc. Eu posso passar horas em cima daquilo. Pesquisando, tentando encontrar pontos de vista diferentes sobre um mesmo assunto.  Pensando, eu mesma, sobre o que li ou estudei. Eu tenho uma certeza na vida, de que nunca vou parar de estudar, seja o que for, não consigo ficar 2 dias longe disso tudo. Ou, pelo menos, de um livro.

3. Movimento – tudo o que requer movimento e ação me dá prazer, e aí entram os esportes, a dança, etc.. Quando eu era pequena a minha mãe me chamava de “bicho carpinteiro” – e ainda chama – eu nem sei se essa espécie existe, ou se é uma inveção, mas ela me chamava assim pq eu NUNCA parei quieta. Eu não consigo ficar parada, então, o oposto disso me agrada muito.

4. Olhar pro céu – isso me dá uma grande prazer, eu gosto de olhar pro céu, seja durante o dia ou a noite. E tem uma coisa bem especial nisso, as vezes a gente tá caminhando, apressado, na rua, e, de repende, dá uma olhadinha pro céu, a tardinha, e ele tá pintado de rosa, lilás, laranja, azul e amarelo. Quando acontece isso eu sinto uma felicidade enorme. No entanto, eu tb gosto de olhar pro céu quando tá se armando “aquele” temporal, com as nuvens baixas e escuras, e alguns raios caindo e aquela ventania, acho bem legal…

5. Cozinhar – eu amooo fazer receitas – sem receitas – tipo laboratório de química, tudo na experimentação. Amo cozinhar com os meus amigos ou pra eles. Sem pressa, sem horário…

6. Ajudar alguém – eu acho que não tem nada que eu ame mais do que, de alguma forma, por mais modesta que seja, conseguir fazer algo de útil pra alguém. Eu fico muito feliz quando posso “dar uma mão” pra quem quer que precise. Isso é muito mais egoísta do que parece, porque as pessoas ajudam por que se sentem bem fazendo isso. Claro que há os que são genuinamente altruístas e isso me encanta em uma proporção astronômica, mas eu não me enquadro nesse círculo pequeno e evoluído de seres humanos. Eu faço pq me faz bem.

Acho que essas pequenas coisas são algumas das quais eu amo fazer, eu poderia escrever outras, mas são só 6, além do mais , muitas  outras coisas eu só vou lembrar que amo quando estiver fazendo.

As regras que os convidados devem seguir sao simples:

1. indicar os links de quem os convidou
2. escrever o regulamento no proprio blog
3. citar os 6 objetos do jogo
4. envolver outras seis pessoas
5. comunicar aos proximos 6 sortudos a nomination

Ocorre que não tenho esse poder de ordenar que 6 pessoas façam isso por mim, pelo menos na blogsfera, então vou mandar na minha irmã, Paôla, que me obedece desde o momento em que eu passei a ser maior q ela.

Escola de qualidade para TODOS!

•abril 18, 2008 • 10 Comentários

Mais uma blogagem coletiva e, novamente, vou tentar abordar um tema que seja original – pelo menos entre os blogs participantes.

A pergunta proposta pela Meiroca e pela Georgia foi: O que você faz pra acabar com o analfabetismo no Brasil?

Quando falamos em por fim ao analfabetismo no Brasil, quase não nos damos conta de que o direito à educação, na nossa Constituição  Federal, é universal e irrestrito. Por isso, se realmente queremos erradicar esse mal da sociedade, não se pode falar em educação que não seja a EDUCAÇÃO INCLUSIVA. Quem inclui contribui para acabar com o analfabetismo!!! E como eu conheço – muito bem – uma pessoa que é autoridade nesse assunto no Brasil, vou reproduzir aqui um texto da pedagoga e consultora da Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down, Mara Lúcia Madrid Sartoretto – minha mãe. 

 

 

INCLUSÃO: TEORIA E PRÁTICA

Mara Sartoretto Consultora da Federação Brasileira das Associações de Síndrome de DownDiretora da AFAD de Cachoeira do Sul – RSA TEORIA

 

Existe, em grego, uma palavra que significa a possibilidade de ver e analisar uma figura de todos os seus lados, sob todos os ângulos. A palavra é épora. Esse termo está sendo usado para definir a concepção essencial da inclusão escolar, isto é, a possibilidade de ver, de refletir, de analisar a escola sob todos os aspectos. A primeira evidência que surge desse tipo de análise, desse modo de ver a escola, é o fato de que a escola não esgota sua tarefa na mera transmissão de informações. Sua missão vai muito além. Mais do que nunca, torna-se clara a necessidade de uma educação voltada para os valores humanos, uma educação que permita a transformação da sociedade, uma escola que acredite nas diferentes possibilidades e nos diferentes caminhos que cada um traça para a sua aprendizagem, que possibilite a convivência e o reconhecimento do outro em todas as suas dimensões. Se consultarmos o dicionário, verificamos que a palavra incluir significa compreender, abranger, fazer parte, pertencer, processo que pressupõe, necessariamente e antes de tudo, uma grande dose de respeito. A inclusão só é possível lá onde houver respeito à diferença e, conseqüentemente, a adoção de práticas pedagógicas que permitam às pessoas com deficiências aprender e ter reconhecido e valorizados os conhecimentos que são capazes de produzir, segundo seu ritmo e na medida de suas possibilidades. Qualquer procedimento, pedagógico ou legal que não tenha como pressuposto o respeito à diferença e a valorização de todas as possibilidades da pessoa deficiente, não é inclusão.

 

A escola inclusiva, que se preocupa em oferecer condições para que todos possam aprender, é aquela que busca construir no coletivo uma pedagogia que atenda todos os alunos e que compreenda a diversidade humana como um fator impulsionador de novas formas de organizar o ensino e compreender como se constroem as aprendizagens. Sabemos que o processo de transformação da escola comum é lento e exige uma ruptura com os modelos pedagógicos vigentes. E sabemos também que em muitas escolas especiais os alunos lutam para aprender a mesma coisa que as escolas comuns tentam lhes ensinar, por tempo indefinido e indeterminado, sem que esses conhecimentos lhes possibilitem construir habilidades e competências para a vida. Se acreditarmos que o papel da escola é construir cidadania através do acesso ao conhecimento, isto só será possível se dentro da escola tivermos uma verdadeira representação do grupo social que está fora da escola: pessoas com diferentes credos, de raças diferentes, com saberes diferentes, pessoas sem deficiências (existem?) e pessoas com deficiência. A experiência de conviver com a diversidade, tão necessária para a vida, nunca será exercida num ambiente educacional segregado, onde a diversidade humana não esteja representada. As escolas especiais têm um papel muito importante a cumprir Pedagogicamente – e constitucionalmente! – elas existem para oferecer atendimento educacional especializado, e não educação especial. E o atendimento educacional especializado tem por escopo garantir aos alunos com deficiências especiais a possibilidade de aprenderem o que é diferente do ensino comum e desenvolver aquelas habilidades de que eles necessitam para poderem ultrapassar as barreiras impostas pela deficiência. Mas, para que o processo de inclusão realmente aconteça, precisamos abandonar o comodismo decorrente das nossas práticas homogeneizadoras, meritocráticas, paternalistas e corporativistas, sobretudo, e particularmente, quando trabalhamos com pessoas com deficiência mental. Como bem diz a Prof. Maria Teresa Mantoan, resistimos a inclusão escolar porque ela nos faz lembrar que temos uma dívida a saldar em relação aos alunos que excluímos, por motivos muitas vezes banais e inconsistentes, apoiados por uma organização pedagógica escolar que se destina a alunos ideais, padronizados por uma concepção de normalidade e de deficiência arbitrariamente definida. Alunos com e sem deficiência são excluídos da escola há muito tempo, sem que mudanças efetivas sejam feitas para resolver esse problema, as medidas até agora implantadas não passam de paliativos. Agora, porém, são os alunos com deficiência que freqüentam as escolas comuns que estão impondo a nós professores uma reflexão mais séria acerca da nossa concepção de escola e das nossas práticas pedagógicas. E já existem, no país todo, tanto em escolas comuns quanto em escolas especiais, inúmeras experiências bem sucedidas de pessoas e entidades, que, com responsabilidade, em alarde e com fundamentação científica sólida, estão abrindo o caminho da educação inclusiva e eliminando as velhas e bolorentas práticas excludentes da pedagogia tradicional. Há muitas escolas regulares que abriram as suas portas para alunos com deficiências especiais e tentam, seriamente, fazer uma escola de qualidade, com respeito a todos os alunos, deficientes ou não. E há também muitas escolas especiais que optaram por atender seus alunos no turno oposto ao que freqüentam a escola comum, com resultados altamente positivos. O argumento do despreparo dos professores não pode continuar sendo álibi para impedir a inclusão escolar de pessoas com deficiências. Se não estamos preparados, precisamos urgentemente nos preparar. E uma verdadeira preparação começa com a possibilidade e pelo desafio de acolher as diferenças na sala de aula e pela busca de novas respostas educacionais. Nesse processo, a responsabilidade é de todos – pais, diretores, supervisores, orientadores educacionais, professores, alunos – e, principalmente, das autoridades responsáveis pela definição e implementação das políticas educacionais. Inclusão não é favor para pessoas com deficiência. Ela é um direito.

 

Formar professores para essa escola significa formar para atuar com o múltiplo, com o heterogêneo, com o inesperado mudando nossa maneira de planejar, de ministrar as aulas, de avaliar, de pensar a gestão da escola e das relações dos professores com seus alunos. Nesse processo de mudança, o diálogo, a conscientização do professor e da escola, a utopia, que segundo Paulo Freire significa o inédito viável, deverão permear todo o trabalho educativo assegurado pela constituição, mas, ela é também um direito de todos os alunos, inclusive dos sem deficiência, (se é que eles existem) para que as desigualdades possam ser questionadas e a convivência baseada no respeito, na ética, na co-participação reforce o sentimento de pertença e de engajamento e busque alternativas para uma sociedade melhor, ancorada pela educação em toda sua complexidade que somente se efetiva num contexto permeado pela riqueza das diferenças. Discutir e propor alternativas para a consolidação de uma escola inclusiva é direito e dever de todos os que acreditam que a escola é o local privilegiado, e muitas vezes único, onde, de fato, os sujeitos de sua própria educação, quaisquer que sejam suas limitações, podem fazer a experiência fundamental, e absolutamente necessária, da cidadania, em toda sua plenitude.

Esse é o video do Carlinhos e do amigo dele.